Os Cavaleiros do Zodíaco – Remake ou original?

Animação japonesa ou anime como é popularmente conhecido, tem um grande reconhecimento no Brasil desde antes do segundo milênio. Cavaleiros do Zodíaco foi o primeiro anime a ser transmitido no país, exibido pela Rede Manchete. O processo de contrato para a exibição não foi tão simples já que a animação foi alvo de “censura” em 1990, devido a caracterização de violência no material.

Gênero: Saudades de ser criança! A grande preocupação era se Atenas e os Cavaleiros iriam salvar o mundo.

Detalhes Técnicos

Nome: Saint Seiya – Os Cavaleiros do Zodíaco
Produção Original Netflix e Toei Animation
Direção: Yoshiharu Ashiro
Roteiro: Eugene Son 
Lançamento: 19 de julho de 2019
Episódios: 6
Duração: 23 minutos cada episódio
Idioma: Alemão, Inglês Italiano, Japonês (original) e Português
Legendas disponíveis: Alemão, Inglês (cc), Italiano, Japonês,  Português e desligada.

Sinopse Netflix: Jovens guerreiros encarregados de proteger a deusa grega Atena de forças do mal que planejam destruir a humanidade. Cada Cavaleiro usa uma armadura inspirada em uma das constelações do zodíaco.

Recomendação
2/5

Nossa Sinopse Geral

Em um mundo fantasioso com cavaleiros de armaduras protegidos por uma constelação, profecias e uma deusa reencarnada. Seiya procura por sua irmã desaparecida desde criança. As respostas que tanto busca pode não ser facilmente respondidas, e quando se vê está dentro do Santuário, lar de treinamento dos cavaleiros e percebe que além de procurar sua irmã, ele tem uma outra missão: proteger Atena e salvar o mundo. 

Crítica

A ideia da Netflix de resgatar esse clássico que marcou a infância de muitas pessoas, era de unir essa geração e conquistar um novo público. 

Deu certo?

Quem acompanha as redes sociais pode dizer que não, porém, é fato que a produção chegou a todos eles. Mas, infelizmente é impossível agradar a todos e principalmente a autora deste artigo, pois, faz parte do público que teve sua infância marcada pelo desenho.

Baseado no mangá (história em quadrinhos) de mesmo nome, escrito por Masami Kurumada entre 1985 até 1990, conta com 28 volumes. O anime foi adaptado em 114 episódios, teve um retorno em 2002 com uma nova saga em animação, Os Cavaleiros do Zodíaco: Saga de Hades, finalizada em 2008.

Onze anos depois, chega na plataforma Saint Seiya – Os Cavaleiros do Zodíaco. E, a resposta não foi o que esperavam.

Mudanças

A abertura é uma clara homenagem a produção original, já que recria as icônicas sequências ao som da abertura, agora, em inglês Pegasus Fantasy, cantada por The Struts.

Original:

Netflix:

Nessas mudanças até poderíamos dizer que os traços dos personagens não foram trocados, porém, temos o caso do Shun:

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Originalmente, o cavaleiro de Andrômeda é um homem. Ao fazer a adaptação do personagem, mudaram o sexo, transformando em uma menina. Afim de agradar o grande número de mulheres que gostam da produção e também com uma clara ideia de dizer: Uma mulher também pode ser um cavaleiro!

 O próprio roteirista, Eugene Son, principal responsável pela alteração, defendeu sua ideia por meio da rede social, twitter: 

“A única coisa que me preocupa: os Cavaleiros de Bronze são todos homens. A série sempre teve essa dinâmica com personagens femininas fortes, isso só reflete no número de mulheres apaixonadas pelo mangá e o anime”

Podemos dizer que foi um tiro no próprio pé? As respostas negativas foram tão fortes que o roteirista apagou sua conta da rede social. Amantes do clássico acharam desnecessário tal decisão e uma certa apelação para a produção.

Assim como Rafael da Silva, crítico do CanalTech trouxe a seguinte referência:

Ao mudar o gênero da personagem, ela deixa de ser uma quebra de estereótipo para se tornar o próprio estereótipo: a menina que usa rosa, é sentimental e não gosta de brigas. Soma-se a isso o fato de que, em diversos momentos da trama geral de Cavaleiros do Zodíaco, Shun é salvo pelo seu irmão mais velho, Ikki. Com isso temos mais um possível problema nessa mudança de gênero, pois  Shun corre o risco de ser tornar a “donzela em perigo”, alguém que tenta se mostrar forte, mas que precisa ser salva por uma figura masculina.”

Para quem acompanhou o mangá, sabe a incrível força do personagem, considerado cavaleiro mais forte do grupo. Impedido de demonstrar seu potencial, afinal tem grandes tendências pacíficas.

Outra mudança foi na questão da dublagem, tópico sempre complicado. Ao ouvir no áudio inglês, percebemos uma mudança nos nomes dos personagens. COMO MUDAM OS NOMES DOS PERSONAGENS?

Por exemplo, o cavaleiro do Dragão, Shiryu, no áudio em inglês recebe o nome de Long.

A  narrativa

Assim como falei na matéria de Love O2O, é impossível não comparar duas versões e pode parecer errado querer medir o conteúdo da história por capítulo do mangá, e pelo tempo de episódio do anime ou da série.

Ao todo, essa primeira temporada conta com 6 episódio e cada um, com 23 minutos de duração. Podemos ter uma certa afirmação da produção estar mais atrelada ao mangá do que um remake do próprio anime. Mas, isso não muda o fato de que se o anime estava rápido com as adaptações, essa série está na velocidade dos Meteoros de Pegasus.

Afim de atingir um novo público, podemos dizer que a abordagem da série está muito mais infantilizada e muito menos dramáticas. Mesmo tento uma classificação indicativa para 14 anos, posso dizer que a série poderia muito bem estar classificado com livre. Pois, ao contrário do anime, as lutas estão muito, muito mais aceleradas e com menos ação, a maioria das lutas mostradas acabam depois de um único golpe, a mais longa foi provavelmente entre Seiya de Pegasus e Shiryu de Dragão.

No anime sendo destaque de pelo menos dois episódios com 25 minutos cada. Enquanto que na nova adaptação não tem nem 10 minutos da luta.

Outro detalhe é que durante as lutas não há a presença de sangue mesmo depois de receber os golpes.

E, para fechar esse tópico da narrativa, temos um diálogo de aproximadamente 5 minutos de Seiya com um bueiro. Sim! Sabemos que não é realmente um bueiro e sim a entrada secreta e controlada por um sistema de inteligência artificial. Mas isso não muda o fato que foi desnecessário e muito infantil, fora as gírias atuais inseridas no contexto.

Computação Gráfica e Anime

Acostumados com o design de animes, a produção da nova série tem reviravoltas e  um erro fatal. 

Uso da computação gráfica para o design da produção. O motivo disso ter sido um pecado, é claro: A emoção. Ou melhor, a falta de emoção dos personagens.

Gosto de pensar que a expressividade dos personagens dentro da animação é responsável de 65% da empatia do público, deixando os outros 35% para a história e trilha sonora.

E, é por isso, que considero como um pecado esse erro, pois se o público não consegue se identificar ou ter uma empatia com o personagem a história perde seu valor.

O Original

Mas temos um vislumbre de esperança, que apesar do que falei sobre a dublagem, no que diz respeito a versão brasileira do aúdio, podemos elogiar. Afinal, quando seria possível ouvir novamente “Meteoro de Pégaso”, “Cólera do Dragão” e “Pó de Diamante” nas vozes dos dubladores oficiais da exibição na Rede Manchete. São eles Hermes Baroli, Elcio Sodré e Francisco Bretas, fazendo as vozes de Seiya, Shiryu e Hyoga, respectivamente. 

Então vale ou não assistir? Imprevisível dizer, pois, a aceitação vem do seu próprio gosto pessoal.

Ao meu ver, perdi tempo. Assisti junto do meu primo de 15 anos, que tirando o fato do Shun ter se tornado mulher, gostou. Mas, eu que assisti a animação original, senti muita falta da emoção, os detalhes de luta, e tendo o Shun como um dos meus personagens favoritos senti um pequena decepção, mas não posso dizer que não vou aguardar uma continuação, afinal, como irão retratar a história? Tiveram um feedback do público um tanto quanto negativa irão modificar?  Ou seguirão a mesma linha?

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