A Verdadeira Heroína da China

A espera do novo live action da Disney é aguardado por muitos, a pergunta é: Atenderá as expectativas? Não sei se vocês sabem, mas, a animação de Mulan não foi bem recebida pela população chinesa. A pressão está alta para os produtores que estão confiantes em atender as expectativas. 

Gênero: Vamos a batalha! Guerrear, vencer!

Detalhes Técnicos

Nome: Mulan
Título Original: Mulan
Produção Pam Coats (Estúdio Disney)
Direção: Tony Bancroft e Barry Cook
Lançamento: 1998
Duração: 84 minutos
Idioma: Inglês (original ou descrição de áudio), Espanhol e Português.
Legendas disponíveis: Português, Espanhol, Inglês (descrição de áudio) e desligada.
Sinopse Netflix: O que uma garota numa dinastia masculina? Cortar o cabelo, mudar o seu destino e se tornar uma guerreira.

Nossa Sinopse Geral

O que você faria para salvar a vida de seu pai? Mulan é a filha única da família tradicional chinesa Fa. Quando os hunos invadem a China, após a construção da Muralha, o país entra em guerra. Todos os homens precisam e devem cumprir o seu dever, servir o país. Porém, a família de Mulan conta apenas com um membro masculino, seu pai, que já em uma idade avançada sofre com as consequências da última batalha. A fim de salvar seu pai, Mulan resolve ir para a guerra em seu lugar.

Recomendação
5/5

Crítica

A história é baseada na lenda chinesa: Hua Mulan. Escrita no século VII, em sua maior parte durante a dinastia Tang (618-907). E, até hoje há questionamentos se a figura de Mulan realmente existiu ou não. A animação foi lançada em 1998 e devo admitir que de certa forma marcou a minha infância, apesar de ser muito mais chegada na Bela, de A Bela e a Fera. Hoje, posso dizer que a história de Mulan tem um valor muito mais ideológico para mim.

Desafiando as leis de um país religioso numa época que o poder de uma mulher era quase inexistente. Mulan, uma jovem de 16 anos – eu pesquisei e encontrei que essa é a idade da nossa heroína, tinha um único desejo honrar sua família. E, a maior prova seria conseguir um bom casamento.

Ou seja, tudo que ela enquanto mulher, melhor, ser humano poderia fazer para honrar sua família seria, no linguajar de hoje ‘conseguir um macho’. Mas, quando os Hunos resolvem invadir a China, uma convocação chega: Um homem de cada família deve se apresentar para servir o exército imperial.

Sem chances de convencer o pai que já está debilitado devido a consequências de outras guerras, a idade e o maior problema de todos: o patriotismo. 

“Fa Zhou: Para mim é uma honra proteger o meu país e minha familía.
Mulan: O senhor vai morrer pela honra?
Fa Zhou: Vou morrer cumprindo o meu dever!”

Percebe qual é a ordem de proteção? Primeiro o país, depois a família. Não é um acaso. Por isso, a única saída que ela consegue ver é a de ocupar o lugar de seu pai no exército. E, aí começa nossa história. Mas, como um padrão Disney, nossas mocinhas nunca estão sozinhas, Mulan tem como companheiros, Khan, seu cavalo, Mushu o dragão e Gri-Li, o grilo da sorte.

Mushu, na verdade era um espírito guardião da família de Mulan, mas foi rebaixado para a posição de tocador de gongo, a fim de acordar os ancestrais. Isso porque falhou em sua missão de proteger um dos membros da família, Fa Deng. Ajudar Mula é a sua chance de se reerguer em meio aos ancestrais e conseguir seu cargo de volta.

Ao chegar no exército, Mulan precisa esconder sua identidade, conquistar o respeito de seus superiores, interagir com seus colegas e sobreviver a todos os conselhos de Mushu. O treinamento é liderado pelo Comandante Li Shang, filho do general que está a frente de batalha contra os hunos.

Quando as tropas de recrutas são solicitadas todos marcham em direção aos Hunos, e em meio a combate, Mulan que finalmente consegue mostrar o seu valor acaba por se machucar e toda a sua identidade é revelada. Resultando em total descaso com tudo que realizou é abandonada por seus colegas. Mas, ela não desiste. Ao perceber que os Hunos não foram derrotados vai até o imperador, com o objetivo de conseguir fazer com que todos acreditem nela e assim possam criar um plano para salvar o imperador e a China.

Mas, como Mushu mesmo disse, ela é mulher. Ninguém liga para o que diz. E, agora?

O destino da China encontra-se nas mãos da única pessoas que não tem voz no país?

O que mais chama a atenção na parte estética da produção é as paisagens da China e os detalhes mas aparentemente não agradou a China. Continue a leitura e saiba por que!

A lenda Hua Mulan

Não sei se você já teve a oportunidade de assistir a produção original chinesa de Mulan, mas sei que se não assistiu perdeu um grande produção. Dirigido por Jingle Ma, conhecido por trabalhar em grandes sucessos com o Jackie Chan, Mulan foi contada de um outro olhar, muito mais poderoso e cruel.

Lançado em 2009 na China, o filme foi muito bem recebido pelo público e crítica local, sendo premiado pela Administração Estatal de Rádio, Cinema e Televisão. Além de vencer o Prêmio das Cinco Melhores Obras, atribuído pelo governo da província de Henan, e outros prêmios em festivais da ásia.

O filme encontra-se disponível legendado no Youtube, porém a qualidade não é muito boa. Infelizmente, mas ainda assim vale a pena assistir.

Uma das principais diferença entre as produções é que Mulan consegue se tornar general e permanece no cargo durante 12 anos. E, o que ela faz pelo seu soldados é no mínimo honrável. Isso sem contar que não há os famosos musicais, afinal é uma produção mais realística, sem tantos efeitos e detalhes bonitos. É guerra. A dor deve ser sentida e transmitida pelos atores.

Live Action – Mulan

Primeiro preciso contextualizar você, caro perdido, a China possui a maior população do mundo. Ou seja, conseguir ter um sucesso dentro do país pode ser um fator decisivo quando falamos de alcance e quantidade. No caso e a quantidade revertida em bilheteria. Mulan teve a animação com a menor bilheteria, com US$ 304 milhões no âmbito mundial, sendo que as animações lançadas na mesma década tiveram um sucesso muito maior. Uma curiosidade desses valores é que o remake tem um orçamento estimado em US$ 300 milhões, ou seja, praticamente todo o valor arrecadado pelo original será usado para a nova versão do longa. Isso, poderia ser o filme mais caro da Disney.

Sendo assim, as chances de que o remake não esteja fiel a animação é de 90%, afinal a produção não agradou em nada o público chinês, que foi a inspiração para o filme. 

Durante o lançamento, o público chinês criticou duramente a produção. A insatisfação se deu ao modo que a cultura deles foi retratada, melhor dizendo, deixada de retratar. Um ponto crucial é o final do longa, mostrando o Imperador, reverenciando Mulan, inaceitável, para eles. Pois, muito dos aspectos do filme estavam muito mais ligados a cultura japonesa do que da China. Diferentemente da produção de Kung Fu Panda que é uma das animações mais adoradas pela China.

As mudanças inseridas na animação foram mais comerciais do que qualquer outra coisa, por exemplo: Mushu, dublado originalmente pelo Eddie Murphy. O animal se tornou uma figura cômica, um item a ser vendido. Porém, o dragão é uma figura sagrada e mística para a China. Simbolizando a sabedoria, o império, na China Imperial a figura do dragão representava a soberania do imperador. Com isso podemos afirmar que são considerados seres benignos diferente das representações ocidentais como um perigo a sociedade.

E, se não existem dragões na lenda e o Gri-Li? O padrão da Disney uma dupla de ajudantes as nossas mocinhas, mas a escolha do grilo se deu a sua representatividade além de pertencer à culinária chinesa exótica, é tido como animal de estimação por representar sorte e virtude, que é justamente o que a avó de Mulan desejou a ela quando lhe deu o grilo na gaiola de bambu.

Agora, não pasmem. Mas o Shang, também não estava na história, por isso é tão odiado pelos chineses além do fato de que usar a imagem de uma guerreira que lutou durante 12 anos, a ser protagonista de um romance é no mínimo ultrajante.

Afinal, a história de Mulan é de uma mulher lendária, símbolo da força feminina na história de um país que tem como tradição impor sua superioridade à mulher.

Mulan é um símbolo importante da força feminina na história de um país que tem como tradição submeter mulheres à posições inferiores na sociedade. Apesar de a história real não ser exatamente como a mostrada no filme e, por vezes, até mais interessante, o contexto histórico e toda a ambientação cultural do filme foi fiel à realidade. Vemos, a seguir, os aspectos culturais da China imperial presentes nas cenas dessa animação clássica.

Agora sim, vamos falar da nova produção Mulan, que está prevista para março de 2020.

Já lançados seus atores e o trailer, mudanças foram encontradas e a resposta para isso é que a Disney quer uma coisa: Entrar com tudo no mercado chinês com a produção, além de claro fazer uma retratação ao país devido aos problemas que tiveram com a animação.

Com o material já disponível podemos já identificar algumas dessas mudanças, como:

Novos personagens

  • Comandante Tung, interpretado por Donnie Yen que será o mentor de Mulan no exército.
  • Gong Li, será a nossa vilã, interpretando uma feiticeira.
  • Bori Khan é o assassino que busca vingança.
  • Skath, o trapaceiro
  • Chen HongHui um dos companheiros de Mulan no exército.

E o romance?

Pois é, esse é um assunto delicado. Como falamos na lenda não há um envolvimento romântico com Mulan, mas duvido que a Disney não dê um jeito nisso. Afinal, as últimas princesas não estão tendo o seu clássico príncipe encantado. 

Valente, lutou pela sua mão.

Elsa, está tentando governar Arendelle.

Moana, tem o Maui, o seu amigo que não houve sequer indícios de um romance.

Bom, mas isso seria uma outra matéria 🙂

Então finalizando sobre Mulan, essas são algumas das mudanças que podem ser percebidas com tudo que foi divulgado até agora. Esperamos que a produção consiga ter o êxito em trazer mais um clássico de volta a vida com sucesso e que dessa vez agrade a China.

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